Pesquisa encontra lixo em 36% das carcaças de animais marinhos em Santa Catarina

Pesquisa realizada no Norte de Santa Catarina mostra como o descarte incorreto de lixo no mar, praias e rios leva à morte centenas de animais marinhos da região.

Durante um ano, o biólogo Aurélio Gonçales Bezerra, técnico de campo do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), examinou 365 carcaças de animais marinhos encontrados encalhados mortos no litoral norte de Santa Catarina ou que vieram a óbito após tentativa de reabilitação na Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univille, em São Francisco do Sul.

Em mais de um terço (36,71%) das carcaças examinadas, foram encontrados plásticos, linhas de pesca, anzóis, PET, isopor, tampas de garrafas e tecidos, entre outros materiais descartados de forma errada no mar. O lixo estava no sistema digestivo dos animais.

De acordo com o portal da Univille, foram examinados: 135 tartarugas, 175 aves e 55 mamíferos. Os artefatos de pesca e peças de plástico foram os itens mais representativos entre os mamíferos e as aves. Todas as espécies de tartarugas marinhas analisadas apresentaram indivíduos com resíduos sólidos em seus tratos gastrointestinais, sendo a tartaruga verde (Chelonia mydas) a espécie com a maior frequência de ocorrência (66,94%). Esta espécie se destacou também por apresentar maior presença de peças de plástico (62,81%), seguido dos artefatos de pesca (48,76%).

Os dados são extremamente preocupantes e mostram, mais uma vez, como a falta de políticas de punição e de conscientização em relação ao descarte de lixo, contribuem para a morte de centenas de animas, que ingerem o lixo por confundirem com comida ou por estar junto com o alimento.

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