O choro de uma Árvore

Estava há anos no mesmo lugar, este que era o meu lugar. Vi gerações nascerem e morrerem. Eu que já dei sombra, fruto e o verde em dias cinzentos, senti medo. Medo mesmo sem saber o que seria o medo.
O barulho era ensurdecedor, chorei em silêncio. No meu silêncio que poucos, bem poucos, sabiam sentir. O mesmo silêncio que, acompanhado pelo som das folhas, minhas folhas, já aconselhou, acalmou e fez muitos sorrirem. A minha hora chegou. Vi a hora de várias como eu chegar, mas a minha nunca achei que chegaria.
Caí. Caí no solo que me alimentou por uma vida de incontáveis décadas. O mesmo solo que segurava minhas raízes e fazia de mim parte desse lugar. O meu lugar, que hoje não é mais meu, assim como a vida que o homem que já descansou em minha sombra e já comeu do meu fruto acaba de matar.

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