Investir na criança é mais eficaz do que distribuir renda, diz Nobel de Economia

Em encontro organizado por Exame e Veja, James Heckman falou sobre a importância de investir na educação infantil e como isso pode reduzir a desigualdade

No fórum “Por que investir nas crianças de 0 a 6 anos vai mudar o Brasil”, organizado pelas revistas VEJA e EXAME nesta segunda-feira (25), em São Paulo, o Nobel de Economia James Heckman defendeu que investir no desenvolvimento de crianças na primeira infância pode ser mais eficiente no combate à desigualdade do que políticas de distribuição de renda.

Para o economista, o investimento no desenvolvimento cognitivo dos 0 aos 6 anos é mais eficiente como forma de combate à desigualdade e incentivo à mobilidade social do que mecanismos tradicionais, como a distribuição de renda. “Se os governos pudessem mirar seus investimentos nos lugares certos, economizaríamos bastante”, disse Heckman. “Finanças públicas são limitadas e devemos usá-las de forma muito eficiente”, ressaltou.

A justificativa para isso é que durante a primeira infância o cérebro está se desenvolvendo em ritmo acelerado. Para Heckman, nessa fase é preciso foco por parte do sistema educacional e das famílias. “A maioria dos pais tem boas intenções, mas não tem o conhecimento”, afirmou.

A tese de Heckman é que é preciso investir “o mais cedo possível” para maior eficiência – e o melhor momento para isso seria durante a primeira infância. “Investimentos na preparação para o mercado profissional trarão baixo retorno. Por outro lado, com investimentos em anos iniciais do desenvolvimento, o retorno será mais alto”, diz Heckman.

Além do economista, o encontro contou com um debate com Julio Gay-Ger, presidente da farmacêutica Eli Lilly no Brasil, Gustavo Schmidt, presidente da Kimberly-Clark, e José Luiz Egydio Setúbal, presidente da fundação José Luiz Egydio Setúbal, sobre a responsabilidade das empresas no desenvolvimento social e infantil. O consenso entre os executivos é de que o governo não tem condições de arcar com toda a responsabilidade sobre a educação infantil. Por isso, o setor privado precisa assumir protagonismo nessa área, especialmente na promoção de boas condições sociais para que as famílias possam oferecer atenção e cuidado para as crianças.

“Temos a cultura do voluntariado, mas não a do investidor social. Podemos convencer as pessoas a investirem em iniciativas sociais, adotando a prática da iniciativa privada de prestação de contas. É preciso mostrar para onde vai o dinheiro, que ele está gerando resultados”, defendeu Julio Gay-Ger, da Eli Lily.

“Sempre falamos de diversidade, mas quando visitamos empresas, as pessoas que estão lá são sempre as mesmas: as que tiveram um background familiar favorável, apoio e suporte. Agora começamos a prestar atenção, e o nosso maior desafio, na América Latina, é democratizar o acesso ao bem-estar social”, observou Gustavo Schmidt, da Kimberly-Clark.

O evento recebeu mais de 220 convidados e contou com o oferecimento da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, United Way Brasil e Fundación FEMSA.

(Fonte: DINO – Divulgador de Notícias)

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