A importância da Agricultura Familiar para o Meio Ambiente

Na Agricultura Familiar a preocupação com o Meio Ambiente é maior porque além de receberem incentivo de políticas públicas, é da própria plantação que as famílias produtoras tiram seus alimentos e, muitas vezes, sua única renda.

Cada vez mais a agricultura familiar ganha destaque no agronegócio brasileiro, já que é uma importante geradora de empregos no campo e responsável por grande parte da produção de alimentos que abastece o mercado interno. É a base econômica da maioria dos municípios brasileiros e responde por uma boa parcela do PIB (Produto Interno Bruto). Segundo pesquisas, em 2015, a agricultura familiar era responsável por 80% da produção mundial de alimentos e por 90% das propriedades agrícolas. De acordo com o último Censo Agropecuário Brasileiro, de 2006, cerca de 4,4 milhões de unidades produtivas no país (metade delas situada na região Nordeste) são propriedades rurais pertencentes a grupos familiares.

No Brasil, a principal característica da agricultura familiar é que a maioria dos envolvidos na plantação e colheita pertencem ao mesmo núcleo familiar, sendo eles pais, filhos, irmãos, tios, primos e avós. Outra característica é o tamanho da área a ser utilizada no plantio e colheita, geralmente não são terrenos muito grandes, comparados aos de grandes fazendeiros.

É comum ver as famílias agrícolas se preocuparem mais com o Meio Ambiente na hora de plantar e colher, pois além de receberem incentivo de políticas públicas, é dessa mesma plantação que elas tiram seus alimentos e sabem que precisam da terra saudável para gerar sua renda, esta que muitas vezes a única renda familiar. Por isso, quando o pequeno produtor é responsável por toda a cadeia de produção e distribuição é maior a certeza de que o produto seja 100% natural.

É possível produzir com Sustentabilidade

A família Kondo, única produtora de alho em São Paulo, por exemplo, possui um método inovador de agricultura familiar que segue aos padrões japoneses. Ela consegue investir não só na produção sustentável do produto, mas também na gestão do produto como um todo, chegando ao consumidor final. Desde o início da produção, há mais de 30 anos, a família segue a tradição de “preservar e tratar bem a natureza, para que ela retribua o seu carinho e dedicação”. Uma das ações de preservação do Meio Ambiente no sítio da família Kondo é a compostagem orgânica. Eles recebem os bagaços de cana dos produtores da região e misturam com os restos dos cascos de árvore descartados pelas fábricas de papel local. A compostagem é feita no próprio sítio, “A cidade de Bastos é bem próxima e eles são famosos por criarem aves, então nós também recolhemos o esterco da galinha e trabalhamos na adubação”, explica o engenheiro agrícola, Fernando Kondo.

Shiro Kondo, patriarca da família Kondo (Foto: Divulgação)
Shiro Kondo, patriarca da família Kondo (Foto: Divulgação)

Outra técnica aplicada no sítio é a adubação verde, que serve para reintroduzir o nitrogênio no solo, retendo a água e aumentando sua fertilidade. Ela é feita por meio de descartes orgânicos triturados e reintroduzidos no solo logo após a última colheita. A irrigação do solo é feita através de um pivô central, de onde os pequenos produtores puxam a água necessária de um riacho próximo à plantação, economizando assim milhares de litros de água por mês. E para garantir a qualidade do recurso, frequentemente eles realizam análises químicas e limpeza do local, removendo os compostos orgânicos que aparecem em excesso. “Nós tentamos trabalhar com os três pilares da sustentabilidade: economia, sociedade e meio ambiente. Na parte da economia, procuramos trabalhar com todas as etapas do nosso produto – plantação, colheita, preparo e venda; na parte social, o que podemos fazer e que também não é muito comum é registrar a carteira de trabalho das pessoas que nos auxiliam e apresentar a elas condições ideais de convívio – como banheiro, área de descanso e refeições; na parte ambiental, estamos sempre respeitando e preservando a natureza, da melhor maneira possível, para termos o seu retorno”, explica Fernando Kondo.

Cerca de 70% dos produtos agrícolas que chegam às mesas dos brasileiros são produzidos por produtores familiares, que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, possuem conhecimento e técnicas avançadas de plantio e colheita, além de muitas vezes adotarem voluntariamente sistemas de gestão ambiental. Nas grandes cidades as pessoas não sabem disso porque os produtos chegam aos supermercados com a marca do atacadista responsável pela distribuição.

 

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