Febre amarela e ação do homem põem em risco macacos na Mata Atlântica

Ministério esclarece que primatas não transmitem o vírus a humanos. Animais ajudam a alertar sobre a presença da doença.

Já são centenas de casos fatais de febre amarela entre os primatas da Mata Atlântica, estima-se que sejam mais de 600 macacos, muitos deles ameaçados de extinção. O surto traz um grande desequilíbrio ambiental, ainda mais porque, por medo de contaminação e falta de informações corretas, algumas pessoas estão agredindo e matando os animais. Por isso, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) emitiu, nesta semana, um alerta à sociedade para reforçar a preservação dessas espécies e evitar maus-tratos e violência provocados pela ação do homem em áreas onde há casos da doença. Os macacos não transmitem a doença, muito pelo contrário, eles ajudam a alertar sobre ela. O vírus da febre amarela silvestre é transmitido pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes.

“É importante que a população tenha plena consciência de que os macacos não são responsáveis pela existência do vírus e nem por sua transmissão a humanos. Eles precisam ser preservados. Além disso, a violência contra os animais é crime ambiental”, ressalta o diretor de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercillo.

Macaco-prego-de-crista é uma das espécies ameaçadas pela febre amarela e pelo homem (Foto: Internet)

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia, Danilo Simonni Teixeira, por viverem no interior da mata, os primatas costumam ser os primeiros a serem infectados e, por isso, são chamados de animais-sentinela. Desta forma, eles acabam desempenhando uma importante função, já que sinalizam a circulação do vírus e isso permite às autoridades de saúde intensificar a vacinação, protegendo as pessoas que vivem ou visitam as regiões onde há surto da doença. “Os primatas agem como verdadeiros anjos da guarda dos seres humanos, pois quando ocorre a morte desses animais em escala anormal, como vem ocorrendo em determinadas regiões da Mata Atlântica, é um indicativo da presença do vírus. Essas informações podem subsidiar as ações do governo”, afirma o especialista.

De acordo com Ugo Vercillo, o quadro já é muito preocupante e não pode ser agravado pela ação do homem. Entre os primatas que correm risco e que estão ameaçados de extinção, estão o Bugio, o Macaco-prego-de-crista, o Muriqui do sul e do norte.

Matar ou maltratar animais é crime

Conforme a legislação ambiental, matar ou maltratar animais é crime, cuja pena pode chegar a um ano de detenção, além da aplicação de multa. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a população deve denunciar casos de violência contra animais da fauna brasileira através da Linha Verde.

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