Economia circular: empresa de segurança e ONGs reciclam 24 toneladas de resíduos têxteis por ano

O programa Reforme Gocil promove a sustentabilidade a partir da reciclagem de uniformes e gera trabalho para a população carente

As normas do setor de segurança prevêem que, após o uso do uniforme, uma empresa do segmento precisa fazer o descarte adequado. Sendo assim, toneladas de uniformes usados são incinerados com pouco de tempo uso. Após dois anos de pesquisa e acompanhando os estudos mundiais de economia circular, a Gocil Segurança e Serviços implanta o projeto Reforme, no qual o objetivo principal é promover o descarte sustentável das 24 toneladas de resíduos têxteis gerados anualmente.

Com a implantação do programa, a Gocil deixará de gastar em torno de R$ 250 mil reais anuais com transporte, descarte e incineração do material, que, além de otimizar o investimento da organização, será direcionado para entidades, gerará empregos e rendas para comunidades.

Economia Circular

O conceito da economia circular é que todos os componentes de um produto são criados para depois poderem ser reutilizados ao serem descartados. Para entender a importância, em 2016, a Comissão Europeia impôs metas sustentáveis aos países europeus até 2030, entre elas: a reciclagem de 65% de todo o lixo inorgânico gerado; reciclagem de 75% das embalagens; e redução de 10% dos resíduos depositados em aterros. A C.E. quer alavancar um novo paradigma econômico, por meio de iniciativas ecológicas e sustentáveis, e gerar cerca de 600 mil empregos na Europa.

Já no território brasileiro, somente de resíduos têxteis sólidos são geradas aproximadamente 175 mil toneladas anualmente, segundo o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de São Paulo (SinditextilSP). Porém, 90% são descartados de forma incorreta.

Segundo a Ellen MacArthur Foundation (EMF), instituição internacional voltada à pesquisa e análise da economia circular, cerca de 480 milhões de euros podem ser poupados pelas empresas na União Europeia se fizerem a transição para este modelo de economia. Mundialmente, estudos internacionais indicam que até 2020, cerca de 335 bilhões de euros podem ser movimentados com a adoção deste novo perfil de redução de resíduos e reutilização de recursos por parte dos empresários.

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O Projeto Reforme

Inspirada na tendência americana Triple Bottom Line, ou “Tripé da Sustentabilidade”, que foca nos aspectos ambiental, social e econômico, a Gocil objetiva acrescentar práticas sustentáveis aos valores da companhia. “Pensamos neste tripé para promover um desenvolvimento em cadeia: desde a geração de emprego e renda para a população, que participa do processo de reforma e transformação das peças até na proteção ao meio ambiente e todo o ecossistema”, explica Welder Peçanha, vice-presidente da companhia.

O projeto Reforme favorece ONGs e cooperativas situadas na região do ABC, em São Paulo, que recebem gratuitamente todo o material descartado. Estas foram escolhidas após dois anos de estudos pela companhia, em conjunto com as empresas Biotera, especializada na gestão de resíduos e projetos ambientais, e GAEA, consultoria de sustentabilidade.

O processo

O processo de descarte sustentável começa quando as organizações parceiras retiram os resíduos gerados pelas unidades da Gocil situadas em São Paulo e fazem a descaracterização dos uniformes, na qual logos e emblemas são recortados dos tecidos e depois triturados. Em seguida, as peças são levadas para a higienização.

A partir daí, cada ONG e cooperativa fica responsável por uma etapa de transformação dos tecidos antigos em novos. Nas mãos de artesãos, os sapatos, cintos, botões, bonés, coletes balísticos e todos os outros itens se transformam em bolsas, carteiras, roupas para pets e estofo de edredom, assim como demais acessórios. Após reformados, os materiais são doados para instituições que cuidam de pessoas carentes e vendidos em feiras e bazares, entre outros.

Para ter a certeza de que toda a ação é feita de forma adequada e efetiva, a Gocil conta com um aplicativo de geomapeamento. Este é responsável por rastrear e gerenciar todo o processo realizado de forma remota, desde a retirada do material na empresa, passando pelos pontos de parada até a chegada em cada instituição onde o trabalho de transformação é realizado.

A escolha das instituições

As ONGs e cooperativas foram selecionadas de acordo com algumas regras pensadas pela Gocil, tais como não ter nenhuma ligação ou ajuda do governo, ser formada por pessoas carentes, com deficiência e instaladas em regiões desprovidas de qualquer assistência. O objetivo era único: gerar empregos para a população necessitada, que passou a ter renda a partir desse trabalho.

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