Com enredo sobre o Xingu, Imperatriz Leopoldinense desperta a ira do agronegócio

A Imperatriz Leopoldinense, terceira escola do grupo especial do Rio de Janeiro a desfilar neste domingo (26), vem provocando a ira de produtores rurais e do agronegócio, desde que divulgou seu enredo: “Xingu, o clamor que vem da Floresta”.

Ao contar a história do povo indígena, a escola de Ramos também fará duras críticas à construção da hidrelétrica de Belo Monte, ao desmatamento e ao uso de agrotóxicos. Uma das alas ,“Fazendeiros e seus agrotóxicos”, irá trazer fazendeiros, com o símbolo de caveira no peito, pulverizando agrotóxicos.

É claro que fazendeiros e representantes do agronegócio não gostaram nem um pouco da ideia e chegaram a criar uma comissão do Senado e uma reunião do Conselho do Agronegócio (Consagro), ligado ao Ministério da Agricultura, o que não deu em nada, já que a escola garantiu não mudar nada em seu desfile.

Sendo assim, algumas entidades do setor foram à público repudiar a escola, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), por exemplo: “A Imperatriz Leopoldinense vai na contramão da história, uma vez que, depois de muitos anos, finalmente o cidadão dos grandes centros começa a ter as informações mais claras acerca da produção rural, que é rigorosamente fiscalizada dentro e fora do país. Para começo de conversa, se o uso de agrotóxicos nas lavouras fosse indiscriminado, como dizem, o Brasil não seria o grande exportador que é, pois os países importadores não aceitariam nossos produtos”, disse em nota.

Só para lembrar: De acordo com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, mais da metade das substâncias usadas no Brasil é proibida em países da União Europeia e nos EUA. Os agrotóxicos atingem 70% dos alimentos, em um ano, um brasileiro terá consumido cinco litros dessas toxinas, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Veja a letra do samba pra cantar e gritar junto e…EXPLODE IMPERATRIZ:

Brilhou… a coroa na luz do luar!

nos troncos a eternidade… a reza e a magia do pajé!

na aldeia com flautas e maracás

Kuarup é festa, louvor em rituais

na floresta… harmonia, a vida a brotar

sinfonia de cores e cantos no ar

o paraíso fez aqui o seu lugar

jardim sagrado o caraíba descobriu

sangra o coração do meu Brasil

o belo monstro rouba as terras dos seus filhos

devora as matas e seca os rios

tanta riqueza que a cobiça destruiu

Sou o filho esquecido do mundo

minha cor é vermelha de dor

o meu canto é bravo e forte

mas é hino de paz e amor

Sou guerreiro imortal derradeiro

deste chão o senhor verdadeiro

semente eu sou a primeira

da pura alma brasileira

Jamais se curvar, lutar e aprender

escuta menino, Raoni ensinou

liberdade é o nosso destino

memória sagrada, razão de viver

“andar aonde ninguém andou”

“chegar aonde ninguém chegou”

lembrar a coragem e o amor dos irmãos

e outros heróis guardiões

aventuras de fé e paixão

o sonho de integrar uma nação

kararaô… kararaô… o índio luta pela sua terra

da Imperatriz vem o seu grito de guerra!

Salve o verde do Xingu… a esperança

a semente do amanhã… herança

o clamor da natureza

a nossa voz vai ecoar… preservar!

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