Casa da Flor: Do lixo ao luxo

Um pequeno portão de madeira separa a vida real do mundo de Gabriel Joaquim dos Santos. Mais um gênio reconhecido apenas depois de sua morte e que mesmo sua obra sendo Patrimônio Cultural, ainda é um mero desconhecido para grande parte dos brasileiros. Filho de uma índia e um ex-escravo, nascido e criado em São Pedro da Aldeia, Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, Seu Gabriel começou aos 30 anos a recolher dos lixos domésticos e refugos de obras, cacos de cerâmica, louça, vidro, ladrilhos, velhos bibelôs, lâmpadas queimadas, conchas, pedrinhas, correntes, tampas de metal, manilhas, faróis de automóveis, etc. Tudo para esculpir suas flores; ele via flores em tudo. Se Gabriel Joaquim sonhasse com algo, era certo de já no dia seguinte começar a materializar seu sonho. Até que com esses mesmos materiais, ele construiu sua casa feita também de pau-a-pique, pedras, telhas, cal e barro. Nenhum material nobre, apenas “caquinhos transformados em beleza”, como ele mesmo dizia: a Casa da Flor.

Todos achavam que Seu Gabriel era louco, ele dizia que catar esses materiais pela rua era seu trabalho. Aposentado depois de trabalhar anos nas salinas e semi-analfabeto, Gabriel Joaquim respondia quando o chamavam de maluco: “Quando eu morrer, minha casa vai entrar para história”, não deu outra! Construída durante décadas, a Casa da Flor foi tombada como Patrimônio Cultural em 1986, um ano após sua morte, devido sua incrível arquitetura espontânea.

Seu Gabriel mal sabia ler, mas sabia exatamente como posicionar as pedras para que o vento passasse e refrescasse a Casa inteira como se tivesse ar-condicionado. A geladeira, única que ele teve, era uma caixa de pedra com um vaso de barro dentro. Nas laterais dessa caixa, aberturas para o vento frio entrar e manter a água do vaso sempre gelada. Num canto da casa uma velha cadeira de madeira, onde Seu Gabriel sentava diariamente e admirava sua arte: “De noite, acendo a lamparina, me sento nessa cadeira, oh, que alegria para mim! Quando eu vejo tudo prateado, fico tão satisfeito… Tudo caquinho transformado em beleza… Eu mesmo faço, eu mesmo fico satisfeito, me conforta…” dizia orgulhoso.

Veja a galeria de fotos que criamos com imagens exclusivas da Casa da Flor:

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“Esta casa não é uma casa…isto é uma história. É uma história porque foi feita de pensamento e sonho. Uma casa feita de caco, transformada em flor.” Gabriel Joaquim dos Santos (1892 – 1985)

Hoje quem cuida da Casa da Flor é Valdevir Soares dos Santos, de 74 anos. Sobrinho-neto de Seu Gabriel, ele é o responsável, zelador e guia da Casa.

Endereço: Estrada dos Passageiros, 232, Parque do Estoril (antigo bairro do Vinhateiro) – São Pedro da Aldeia/RJ.

Telefone de contato: (22)2625-0719

Entrada: R$3

Site: http://casadaflor.org.br/

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