Capim ajuda a recuperar áreas e conter erosões e deslizamentos

Espécie “Vetiver” pode ser alternativa natural para enfrentar o problema de deslizamentos, típico de cidades com paisagens de morros e encostas

A estratégia não é nova: utilizada no mundo todo desde a década de 80, quando o Banco Mundial difundiu o conceito para cuidar de solos degradados, os resultados obtidos são surpreendentes.

Fábio Santos, biólogo, estudioso do solo do Parque do Lago Francisco Rizzo, em Embu das Artes, comenta que “a espécie possibilita a recuperação do solo exposto à erosão, como os deslizamentos que tem ocorrido no Parque Rizzo, nas áreas de talude”.

Ainda segundo o Fábio, esse capim “grampeia” o solo, prende suas raízes e rochas à camadas profundas, que podem atingir até cinco metros de extensão. “Essas raízes desenvolvem uma resistência equivalente a 1/3 do aço e essa estrutura é responsável por evitar movimentação e erosões no solo”, informa o biólogo.
A planta é bem adaptada a ambientes rústicos, não tem flores ou apelo paisagístico, pode crescer até dois metros de altura (sem poda) e demanda poucos cuidados após o plantio. Suporta variação de temperaturas que vão de -9 até 50 graus e seu cultivo pode ser feito em diferentes tipos de solos: arenoso, argiloso, com alta concentração de sal, pouco ou muito ácido, áreas alagadas, entre outros.

Apesar de ser exótica, de origem asiática, ela pode ser utilizada nos projetos de regeneração, como já ocorre com outras espécies exóticas em taludes nas margens de rodovias.

Rodolfo Almeida, presidente da Sociedade Ecológica Amigos de Embu – SEAE, comenta que “A regeneração, através de meios naturais, pode devolver a segurança às comunidades de regiões com deslizamentos e, com o tempo, a vegetação nativa pode ser reintroduzida ao local, coisa que seria impossível se a erosão continuasse”.

Fábio Santos palestrou em fevereiro para moradores de Embu das Artes, na sede da SEAE, onde apresentou seus estudos com a planta.

Foi analisado o desenvolvimento do Capim Vetiver em amostras de solo retiradas do Parque Rizzo. A conclusão do estudo demonstrou que, mesmo sem a fertilização, a espécie consegue se fixar e desenvolver, mas que apenas com a aplicação de adubo orgânico (compostagem) os resultados seriam muito superiores.

Na plateia, bastante interessada, com intensa participação, marcaram presença representantes da Defesa Civil e Guarda Civil Municipal de Embu das Artes.

Sobre a SEAE

Criada por moradores na metade da década de 70, a SEAE atua na preservação ambiental de Embu e região, para estimular e ampliar os processos de transformação socioambiental, cultural e econômica, por meio de processos educacionais participativos e inclusivos, fomentando a atuação em políticas públicas, visando a conservação, recuperação e defesa do meio ambiente.

(Fonte: Dino – Divulgador de Notícias)

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