As verdades sobre Alimentação Natural para cães (AN)

Falar sobre Alimentação Natural para cães (AN) muitas vezes é como falar sobre religião, futebol ou política, cada um tem a sua opinião, que pode render horas de discussão, principalmente entre médicos veterinários. Porém não se pode negar que a cada dia a AN ganha mais adeptos no mundo inteiro.

Veja bem, não estamos falando em dar restos de comida para os cães, muito pelo contrário! A AN consiste em uma dieta super balanceada, baseada em conhecimentos anatômicos, nutricionais e fisiológicos dos animais, o que muitas vezes consiste em uma alimentação bem diferente da nossa, por mais saudáveis que sejam nossas refeições. Além disso, existem três tipos de AN para cães: crua com ossos, crua sem ossos e a cozida. É importante estudar cada uma delas e conversar com um especialista para saber qual a melhor opção para o pet.

De acordo com o médico veterinário e fundador da PetloveMárcio Waldman, o mais importante é oferecer uma alimentação balanceada ao animal para que ele tenha uma vida longa e saudável: “A alimentação balanceada é a melhor escolha para cachorros e gatos. As rações são feitas baseadas em estudos sobre as necessidades percentuais de proteína, carboidrato, gorduras, cálcio, fósforo, vitaminas e outros nutrientes”. Para Márcio, uma ração de qualidade facilita o equilíbrio alimentar, pois com ela é possível atender as necessidades mínimas dos nutrientes, já que são homogeneizadas de tal forma que, se o cachorro comer 10g, 100g ou 1kg de ração, terá ingerido as necessidades percentuais corretas para a sua saúde.

A também médica veterinária, Flávia Braz, diz que se a AN for realmente balanceada pode trazer muitos benefícios para a vida dos cães, principalmente aos alérgicos e com tendência a engordar: “A principal vantagem da Alimentação Natural é que, através dela, é possível tratar mais de uma doença, além disso, as rações costumam ter o teor de gordura alto, o que pode trazer problemas aos cães. A AN traz muitos benefícios também para animais alérgicos”, diz Flávia, que completa: “Não existem provas científicas ainda, mas o que observo em casos de animais que adotam esse regime, é que eles têm menos tendência à obesidade do que aqueles que se alimentam de ração. Mas a alimentação deve ser realmente balanceada, com os nutrientes de acordo com a necessidade de cada cão”.

A empresária, Clarissa Waldeck, oferece AN cozida para seu Bulldog Inglês, Mojito, de quase 3 anos, desde que ele tinha apenas 10 meses e garante que foi a melhor decisão: “Decidi mudar a alimentação dele porque, assim como me preocupo com a minha alimentação, percebi que precisava também me atentar ao que estava dando para ele. A gente nunca sabe realmente o que tem na ração. Não dá para saber. Agora me sinto mais segura, porque sei exatamente o que ele está comendo: comida”.

Mojito só esperando sua refeição (Foto: Clarissa Waldeck)
Mojito só esperando sua refeição (Foto: Clarissa Waldeck)

A publicitária, Simone Villas-Boas, tutora de dois vira-latinhas adotados, Fred e Fifi, também é adepta da Alimentação Natural cozida. O Fred, de 5 anos, se alimenta de AN desde 1 ano de idade. Já Fifi, com quase 2 anos e acolhida por Simone para Lar Temporário há cerca de um ano, deixou de comer ração quando a publicitária decidiu ficar de vez com ela. “Comecei a pesquisar sobre Alimentação Natural porque me incomodava o fato do Fred comer sempre a mesma coisa. Apesar de ser uma boa ração, comer a mesma coisa todos os dias deve ser muito chato. Então, quando ele passou por uma cirurgia, a anestesista aconselhou fazermos um agrado e dar algo diferente, que ele gostasse. Meu marido começou a misturar carne moída na ração e estudando sobre o assunto descobri que isso não é bom, pois a ração já é extremamente balanceada e acrescentar algo é o mesmo que dar algum nutriente em excesso.  Desde então, substituímos a ração e até os petiscos pela AN”, diz Simone, que mergulhou de cabeça nessa onda e faz também petiscos naturais, que podem ser encomendados através da página Fred, vira-lata gourmet.

Fred e Fifi aguardando ansiosamente sua AN (Foto: Simone Villa-Boas)
Fred e Fifi aguardando ansiosamente sua AN (Foto: Simone Villas-Boas)

Tanto Clarissa como Simone preparam em casa as refeições cozidas de seus pets. A Clarissa prepara semanalmente e separa as porções em saquinhos congelados. Já a Simone prepara diariamente cada refeição. Elas também têm sempre em casa um saquinho SOS de ração, para uma emergência, quando não der tempo de preparar a comida ou descongelar. Ambas compartilham a mesma opinião sobre as mudanças percebidas depois da AN, veja algumas:

  • Como a ração é seca, eles sentiam mais sede. A AN tende a ser mais úmida, suprindo assim a necessidade de ingerir muito líquido, diminuido também o xixi;
  • As fezes com AN não tem o cheiro tão forte como as fezes de quando eles comiam ração;
  • Nem Mojito, Fred e nem Fifi, sofrem com qualquer problema de saúde;
  • O pêlo dos três ficou mais bonito depois da AN;
  • Os três nitidamente gostam mais da AN e ficam loucos quando sentem o cheirinho da comida.

Para quem não tem tempo de preparar as refeições em casa, nem semanalmente, existem algumas empresas especializadas em AN para cães, como a PetChef, por exemplo, que se dedica à elaboração de refeições congeladas, balanceadas e completas para cachorros. A PetChef foi criada em 2013 pelas amigas e sócias Daniela Prado e Antônia Moura, que buscavam soluções para melhorar a vida de seus pets. Quando elas começaram a fazer AN em casa, os resultados foram tão animadores, que elas decidiram disseminar a Alimentação Natural. “Em nossas pesquisas, percebemos como a alimentação poderia fazer diferença. Ficou clara a importância de uma alternativa para a alimentação industrializada que, até então, nunca tinha sido questionada. Ingredientes frescos, variedade e funcionalidade, adaptados ao estilo de vida e necessidades de cada indivíduo fazem toda a diferença”, diz Daniela, que explica que na PetChef cada porção diária é embalada a vácuo e pode ser distribuída em duas ou três refeições, de acordo com a preferência do dono. Como a variedade e a alternância dos ingredientes são fundamentais para uma boa nutrição, foi elaborado um cardápio mensal para que o cachorro tenha acesso a todos os nutrientes indispensáveis a longo prazo.

Veja alguns alimentos que, segundo a PetChef, os cães não podem consumir de jeito nenhum:
  • Chocolate – Contém teobromina, que é tóxica para o cachorro quando ele ingere de 100 a 150mg por quilograma de seu peso corporal;
  • Cebola – Contém uma substância chamada tiossulfato, que pode causar anemia hemolítica em cães. A cebola pode apresentar um potencial tóxico mesmo quando consumida em pequenas quantidades, esteja ela crua, cozida, ou até mesmo presente em algum alimento processado, como sopas e salgadinhos;
  • Abacate – Pode causar desarranjo gastro-intestinal;
  • Café – Contém componentes perigosos chamados xantinas que podem causar danos aos sistemas nervosos e urinários, além de ser um estimulante cardíaco;
  • Uvas e uvas passas – Podem causa insuficiência renal aguda e problemas hepáticos;
  • Noz macadâmia – A macadâmia contém uma toxina desconhecida que pode afetar os músculos e os sistemas digestivo e nervoso dos cães;
  • Alho – Apesar de saudável para os seres humanos, o alho destrói as células vermelhas do sangue dos cães e pode causar anemia e, em casos mais graves, falência renal por perda de hemoglobina. Há quem advogue o uso moderado por ele ser vermicida;
  • Doces dietéticos – Produtos adoçados com xilitol podem causar danos hepáticos e até a morte em cães mais sensíveis;
  • Chia, aveia, linhaça e goji berry – Todas contêm muita concentração de fósforo e não são indicadas para cães, pois o uso prolongado pode levar à lesão renal.
É importante destacar que é essencial consultar um veterinário antes de aderir a AN e durante o processo de adaptação, para saber direitinho o que dar, o que não pode dar e principalmente as proporções para que seu cão esteja sempre saudável e com uma alimentação balanceada.

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